ICVA mostra mudança de perfil de presentes no Dia das Crianças 2026
O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) mostra que o Dia das Crianças de 2026 trouxe uma surpresa para o comércio brasileiro: enquanto o faturamento do varejo cresceu 4,2%, os setores tradicionalmente associados à compra de presentes na data registraram queda de 5,7%.
Os dados são referentes às vendas realizadas entre 6 e 12 de outubro de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Os resultados revelam um Dia das Crianças diferente daquele que costuma movimentar o comércio de brinquedos, roupas e outros itens para presentear.
Embora não permitam identificar diretamente as escolhas de cada família, os números sugerem uma possível mudança na composição dos gastos associados à data comemorativa: menos protagonismo para os presentes tradicionais e maior dinamismo em categorias ligadas à alimentação.
A diferença aparece com clareza no desempenho dos segmentos.
Enquanto bares e restaurantes cresceram 15,5%, o comércio especializado de alimentos registrou alta de 12,2% e os supermercados avançaram 6,4%.

Já as lojas de brinquedos tiveram retração de 3,6%. Em seguida, aparecem livrarias e papelarias (queda de 5%) e lojas de móveis, eletrodomésticos e departamentos, que recuaram 9,2%.
O setor de vestuário também apresentou resultado negativo, com queda de 1,9%.

“Os dados sugerem que o consumidor pode estar buscando novas formas de celebrar o Dia das Crianças. Enquanto categorias tradicionalmente associadas à compra de presentes tiveram retração, segmentos ligados à alimentação e ao convívio cresceram de forma expressiva. É um movimento que indica uma possível valorização das experiências compartilhadas e que merece atenção dos varejistas no planejamento das datas comemorativas”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo.
Dados do Dia das Crianças reforçam tendência
O resultado do ICVA reforça uma transformação observada em diversas datas comemorativas nos últimos anos: o crescimento do consumo voltado a experiências, encontros e ocasiões de lazer, complementando ou até substituindo parte dos gastos tradicionalmente destinados à compra de presentes.
No conjunto, os setores classificados como presenteáveis tiveram redução de 5,7% no faturamento, enquanto os demais segmentos cresceram 6,1%.
O desempenho mostra que a movimentação econômica da data foi sustentada por atividades que vão além da compra de presentes.
A hipótese de uma valorização de momentos de convivência familiar encontra respaldo no crescimento expressivo de bares e restaurantes, mas não se estende de maneira uniforme a todas as atividades de lazer.
O segmento de recreação e lazer, por exemplo, registrou ligeira queda de 0,8%.
Lojas físicas superam e-commerce pela primeira vez na série histórica
Outra particularidade do Dia das Crianças de 2026 foi o desempenho dos canais de venda. O comércio físico cresceu 4,5%, acima da expansão de 3,1% registrada pelo e-commerce.

Pela primeira vez na série histórica do ICVA para a data, as lojas físicas registraram crescimento superior ao do comércio eletrônico.
O desempenho contrasta com os anos anteriores, nos quais as vendas online vinham apresentando taxas de expansão maiores.

“As lojas físicas tiveram um desempenho mais forte que o comércio eletrônico, algo inédito na série analisada para o Dia das Crianças. Esse resultado reforça a importância de o varejista acompanhar as particularidades de cada ocasião, ajustando canais, ofertas e estratégias ao perfil da demanda”, acrescenta Alves.
Apesar da alta de 4,2%, o desempenho geral do varejo foi inferior ao observado no Dia das Crianças de 2025, mas superou os resultados registrados em 2023 e 2024.

Norte e Nordeste lideram crescimento das vendas
A análise regional do comércio físico mostra que as maiores expansões ocorreram no Norte, com crescimento de 8,3%, e no Nordeste, com 6,9%.
Na sequência aparecem:
- Sudeste: alta de 4,2%
- Sul: alta de 2,3%
- Centro-Oeste: alta de 1,6%

Entre os estados, o Amazonas liderou o crescimento, com alta de 10,6%, seguido pelo Pará (+8,7%) e por Santa Catarina (+8,3%). Ceará (+8,1%) e Bahia (+6,4%) também se destacaram.
Pernambuco e Rio de Janeiro registraram crescimento de 2,4% cada.
Na outra ponta, o Rio Grande do Sul apresentou retração de 4,1%.

Sobre o ICVA
O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) acompanha mensalmente a evolução do Varejo brasileiro, de acordo com as vendas realizadas em 18 setores mapeados pela Cielo, desde pequenos lojistas a grandes varejistas. O peso de cada setor no resultado geral do indicador é definido pelo seu desempenho no mês.
O ICVA foi desenvolvido pela área de Business Analytics da Cielo com o objetivo de oferecer, mensalmente, uma fotografia do comércio varejista do país a partir de informações reais.
Como é calculado o ICVA
A unidade de Business Analytics da Cielo desenvolveu modelos matemáticos e estatísticos aplicados à base da companhia com o objetivo de isolar os efeitos do mercado de credenciamento — como variação de market share, substituição de cheque e dinheiro no consumo, bem como o surgimento do Pix.
Dessa forma, o indicador não reflete somente a atividade do comércio pelo movimento com cartões, mas, sim, a real dinâmica de consumo no ponto de venda.
Esse índice não é, de forma alguma, prévia de resultados da Cielo, que são impactados por uma série de outras alavancas, tanto de receitas quanto de custos e despesas.
Entenda o Índice Cielo de Varejo Ampliado
- ICVA Nominal: indica o crescimento da receita nominal de vendas no Varejo Ampliado do período, comparado ao mesmo período do ano anterior. Reflete o que o varejista de fato observa nas suas vendas.
- ICVA Deflacionado: ICVA Nominal descontado da inflação. Para isso, é utilizado um deflator calculado a partir do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo IBGE, ajustado ao mix e aos pesos dos setores contidos no ICVA. Reflete o crescimento real do Varejo, sem a contribuição do aumento de preços.
- ICVA Nominal/Deflacionado com ajuste de calendário: ICVA sem os efeitos de calendário que impactam determinado mês/período, quando comparado com o mesmo mês/período do ano anterior. Reflete como está o ritmo do crescimento, permitindo observar acelerações e desacelerações do índice.
- ICVA E-commerce: indicador do crescimento da receita nominal no canal de vendas online do Varejo, no período em comparação com o período equivalente do ano anterior.