ICVA: torcida contra a Argentina na final da Copa 2026 movimenta mais os bares do que a maioria dos jogos do Brasil
O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) mostra que o brasileiro encontrou um motivo para ir ao bar mesmo quando o Brasil já estava fora da Copa 2026: torcer contra a Argentina. O faturamento nominal de bares, discotecas e casas noturnas cresceu 14,5% no domingo da final entre Espanha e Argentina, na comparação com o domingo equivalente de 2025.

O resultado superou o desempenho registrado em três dos cinco jogos da Seleção Brasileira no torneio.
A movimentação dos bares na final ficou acima das partidas contra o Marrocos, quando o segmento cresceu 6,4%; contra o Haiti, quando recuou 2,8%; e contra a Noruega, jogo da eliminação brasileira, que gerou alta de 13,8%.
A decisão da Copa de 2026 só perdeu para os confrontos contra a Escócia (alta de 34,1%), e contra o Japão, quando o faturamento disparou 86,1% e bateu recorde.
A comparação mostra que a presença da Argentina na decisão preservou o interesse do brasileiro pela Copa, mesmo depois da eliminação da Seleção.
O crescimento, porém, foi menos intenso do que nos jogos contra Escócia e Japão, disputados quando o Brasil ainda mantinha viva a esperança de conquistar o hexacampeonato.
“Mesmo sem a Seleção Brasileira em campo, a final manteve a capacidade de mobilizar o consumo e transformou os bares em pontos de encontro para acompanhar a decisão da Copa do Mundo. O Varejo se beneficia dessa paixão brasileira pelo futebol”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo.
Torcida brasileira pagou à vista para ver vitória espanhola
O levantamento também mostra uma transformação importante nos meios de pagamento utilizados nos bares. O débito ainda respondeu pela maior parte das transações, com 42,5% das vendas, mas o Pix já alcançou 35,5%, enquanto o crédito à vista representou 22%.

Na distribuição do faturamento, a diferença foi ainda menor: o débito respondeu por 35,2%, o Pix por 33% e o crédito à vista por 31,6%.
O Pix apresentou tíquete médio de R$ 49,00, superior aos R$ 43,74 do débito.
Já o tíquete do crédito à vista foi de R$ 75,83, enquanto o crédito parcelado, de participação residual, apresentou tíquete de R$ 517,10.
No domingo equivalente de 2025, o Pix representava apenas 20,7% das vendas e 18,5% do faturamento dos bares.
Em um ano, portanto, a participação do meio de pagamento instantâneo avançou 14,8 pontos percentuais nas transações e 14,5 pontos percentuais no faturamento.
Homens foram maioria, mas mulheres tiveram maior tíquete
O público masculino respondeu por 69,8% das vendas realizadas nos bares e por 68,9% do faturamento. As mulheres representaram 30,2% das transações e 31,1% da receita.
Apesar da menor participação, o tíquete médio feminino foi superior: R$ 55,76, diante de R$ 53,42 entre os homens.

O efeito positivo se concentrou especificamente nos estabelecimentos associados à experiência de assistir à partida.
Enquanto bares, discotecas e casas noturnas cresceram 14,5%, os restaurantes ficaram praticamente estáveis, com alta de apenas 0,2%, e as lanchonetes recuaram 9%.
O Transporte Urbano caiu 2,1%, enquanto os supermercados tiveram retração de 0,5% e os demais microssetores avançaram 8,5% em conjunto.

O comportamento reforça que a final não beneficiou de maneira uniforme todo o setor de alimentação fora do lar.
O brasileiro procurou especialmente estabelecimentos que ofereciam televisão, bebida, permanência e convivência coletiva.
Distrito Federal lidera crescimento
No recorte estadual da movimentação dos bares, o Distrito Federal apresentou o melhor resultado entre as unidades analisadas, com crescimento de 15,8%, ficando acima da média nacional de 14,5%.

Na sequência apareceram:
- São Paulo: alta de 14,6%
- Ceará: alta de 13,2%
- Minas Gerais: alta de 10%
- Santa Catarina: alta de 8,6%
- Bahia: alta de 4,4%
- Rio de Janeiro: alta de 2,4%
O Rio Grande do Sul foi o único estado analisado a apresentar queda, com retração de 6,2%.
Final da Copa 2026 não paralisa o varejo
A final da Copa de 2026 apresentou uma dinâmica diferente da observada na maior parte dos jogos do Brasil.
Enquanto as partidas da Seleção provocaram forte desaceleração ou retração do comércio tradicional, o varejo total cresceu 1,8% no domingo da decisão.
O resultado foi sustentado pelo e-commerce, que avançou 11,4%, enquanto o comércio físico ficou próximo da estabilidade, com queda de 0,3%.

Nos jogos do Brasil, o desempenho do varejo total foi:
- Queda de 1,3% contra o Marrocos
- Alta de 1,7% contra o Haiti
- Queda de 5,6% contra a Escócia
- Queda de 20,4% contra o Japão
- Queda de 1,7% na eliminação diante da Noruega
O e-commerce ajudou a amortecer o impacto em parte dos jogos, com altas de 15,5% na estreia, 22,9% contra o Haiti e 5,8% contra a Noruega.
Na abertura por macrossetores da final, Serviços registrou crescimento de 6,9%, seguido por Bens não Duráveis, com alta de 2,0%.
Já as categorias de Bens Duráveis e Semiduráveis registraram retração de 18,7%, reforçando que o evento impulsionou principalmente gastos ligados a experiências, mobilidade e consumo imediato, em detrimento de compras de maior valor agregado ou que exigem planejamento.
Turismo e transporte lideram crescimento
Entre os setores analisados, Turismo & Transporte tiveram a maior alta, de 15,7%.
O Varejo Alimentício Especializado cresceu 7,3%, e Drogarias & Farmácias, com 4%.
Na direção oposta, Bares & Restaurantes caiu 2,9%.
Recreação & Lazer teve queda de 5,7%, e os demais setores, considerados em conjunto, recuaram 18,2%.
Sobre o ICVA
O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) acompanha mensalmente a evolução do Varejo brasileiro, de acordo com as vendas realizadas em 18 setores mapeados pela Cielo, desde pequenos lojistas a grandes varejistas. O peso de cada setor no resultado geral do indicador é definido pelo seu desempenho no mês.
O ICVA foi desenvolvido pela área de Business Analytics da Cielo com o objetivo de oferecer, mensalmente, uma fotografia do comércio varejista do país a partir de informações reais.
Como é calculado o ICVA
A unidade de Business Analytics da Cielo desenvolveu modelos matemáticos e estatísticos aplicados à base da companhia com o objetivo de isolar os efeitos do mercado de credenciamento — como variação de market share, substituição de cheque e dinheiro no consumo, bem como o surgimento do Pix.
Dessa forma, o indicador não reflete somente a atividade do comércio pelo movimento com cartões, mas, sim, a real dinâmica de consumo no ponto de venda.
Esse índice não é, de forma alguma, prévia de resultados da Cielo, que são impactados por uma série de outras alavancas, tanto de receitas quanto de custos e despesas.
Entenda o Índice Cielo de Varejo Ampliado
- ICVA Nominal: indica o crescimento da receita nominal de vendas no Varejo Ampliado do período, comparado ao mesmo período do ano anterior. Reflete o que o varejista de fato observa nas suas vendas.
- ICVA Deflacionado: ICVA Nominal descontado da inflação. Para isso, é utilizado um deflator calculado a partir do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo IBGE, ajustado ao mix e aos pesos dos setores contidos no ICVA. Reflete o crescimento real do Varejo, sem a contribuição do aumento de preços.
- ICVA Nominal/Deflacionado com ajuste de calendário: ICVA sem os efeitos de calendário que impactam determinado mês/período, quando comparado com o mesmo mês/período do ano anterior. Reflete como está o ritmo do crescimento, permitindo observar acelerações e desacelerações do índice.
- ICVA E-commerce: indicador do crescimento da receita nominal no canal de vendas online do Varejo, no período em comparação com o período equivalente do ano anterior.