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Índice ICVA

ICVA mostra que, mesmo com Copa do Mundo, varejo tem pior desempenho para junho desde a pandemia

Queda real foi de 2,8% no mês passado. O resultado do primeiro semestre também foi o mais baixo desde a paralisação das lojas físicas em 2020. SP tem a maior retração estadual.
Publicado por Comunicação Cielo

Pessoa em loja de vestuário analisando dados de vendas em tablet, ilustrando o ICVA Cielo de junho de 2026, índice que acompanha a evolução das vendas no varejo brasileiro.O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) mostra que, apesar da movimentação com a Copa do Mundo e festas juninas, o varejo brasileiro voltou a registrar, pelo segundo mês consecutivo, o pior desempenho para o período desde a pandemia. Em junho, as vendas caíram 2,8% em termos reais na comparação com o mesmo mês de 2025.

Infográfico do ICVA Cielo mostra que as vendas do varejo brasileiro caíram 2,8% em junho de 2026 na comparação anual, considerando a inflação dos preços e sem ajuste de calendário.

Desde 2020, quando as lojas físicas fecharam por causa da Covid-19, não houve uma retração tão grande quanto a registrada no mês passado.

Gráfico histórico do ICVA Cielo apresenta a variação das vendas do varejo em junho entre 2018 e 2026. O resultado de junho de 2026 foi queda de 2,8%, o pior desempenho para o mês desde a retração de 24,1% observada em 2020, durante a pandemia.

O resultado sucede a retração de 3,4% observada em maio, também o pior desempenho para aquele mês desde 2020.

Gráfico do ICVA Cielo mostra a evolução das vendas do varejo em maio de 2018 a 2026. Em maio de 2026, o setor apresentou retração de 3,4% na comparação anual, o pior resultado para o mês desde a queda de 30,5% registrada em 2020.

Desempenho semestral

No acumulado do primeiro semestre, o ICVA registrou queda real de 2,2%. O resultado deflacionado representa piora em relação ao primeiro semestre de 2025, quando o índice havia recuado 0,7%.

Gráfico do ICVA Cielo mostra a evolução semestral das vendas do varejo brasileiro entre o primeiro semestre de 2020 e o primeiro semestre de 2026. O primeiro semestre de 2026 registrou queda real de 2,2%, configurando o pior desempenho semestral desde a pandemia, considerando a inflação dos preços e sem ajuste de calendário.

“Em síntese, os números do semestre reforçam um quadro de enfraquecimento real do consumo, com perda de tração frente a qualquer semestre desde a pandemia. Isso mostra que a renda do brasileiro está pressionada pela inflação e os efeitos são sentidos pelo varejo”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo.

O desempenho de junho ocorreu em um ambiente de inflação ainda relevante para itens de alta recorrência no orçamento das famílias.

O IPCA-15 subiu 0,41% no mês, desacelerando em relação a maio, mas acumulou alta de 4,80% em 12 meses.

Alimentação e bebidas e habitação estiveram entre os principais grupos de pressão, o que ajuda a explicar a manutenção de um comportamento de consumo mais defensivo.

Sudeste registra maior retração

Na análise regional, todas as regiões brasileiras apresentaram queda real em junho. O Sudeste teve o pior desempenho, com retração de 4,5%. Em seguida vieram:

  • Centro-Oeste: queda de 2,6%
  • Nordeste: queda de 1,4%
  • Sul: queda de 1%
  • Norte: queda de 0,3%.

Mapas do Brasil apresentam o desempenho regional das vendas do varejo segundo o ICVA Cielo. Em junho de 2026, as variações foram: Norte (-0,3%), Nordeste (-1,4%), Centro-Oeste (-2,6%), Sul (-1,0%) e Sudeste (-4,5%). No acumulado do primeiro semestre de 2026, as quedas foram de 2,1% no Norte, 1,9% no Nordeste, 2,7% no Centro-Oeste, 1,5% no Sul e 2,8% no Sudeste.

Desempenho estadual

Entre os estados, os melhores desempenhos reais em junho foram observados no Acre (3,7%), Rondônia (2,7%), Minas Gerais (1,4%), Maranhão (0,9%) e Santa Catarina (0,8%).

Na outra ponta, os piores resultados foram registrados em São Paulo (-6,1%), Amazonas (-4,1%), Pernambuco (-3,9%), Rio de Janeiro (-3,7%) e Goiás (-3,5%).

Gráfico do ICVA Cielo compara o desempenho das vendas do varejo por estado em junho de 2026. Acre (+3,7%), Rondônia (+2,7%) e Minas Gerais (+1,4%) apresentaram crescimento, enquanto São Paulo (-6,1%), Amazonas (-4,1%) e Pernambuco (-3,9%) registraram as maiores quedas. O resultado nacional foi de retração de 2,8%.

E-commerce tem desempenho melhor do que lojas físicas

Na análise por canais, o e-commerce manteve desempenho superior ao varejo físico. Em junho, as vendas online cresceram 9,2% em termos nominais, enquanto o varejo físico avançou 1,0%, também em termos nominais.

Gráfico do ICVA Cielo compara o desempenho do comércio eletrônico e das lojas físicas em junho de 2026. O e-commerce registrou crescimento nominal de 9,2% no faturamento, enquanto as lojas físicas avançaram 1,0%, destacando a maior expansão das vendas online no período.

A diferença reforça uma tendência observada em outros períodos: diante de um orçamento mais apertado, o consumidor tende a buscar mais conveniência, comparação de preços e oportunidades no ambiente digital. Além disso, datas sazonais e o calendário da Copa do Mundo podem ter favorecido compras pontuais associadas ao consumo dentro de casa.

Serviços tem a pior queda real entre os setores

Entre os macrossetores analisados pelo ICVA, Serviços teve o desempenho mais fraco em junho, com queda real de 9,1%. Bens duráveis e semiduráveis recuaram 3,4%, enquanto Bens não duráveis ficaram praticamente estáveis, com leve retração de 0,1%.

Gráfico do ICVA Cielo apresenta a variação real do faturamento dos macrossetores do varejo em junho de 2026. O setor de serviços registrou queda de 9,1%, bens duráveis e semiduráveis recuaram 3,4% e bens não duráveis apresentaram estabilidade, com leve retração de 0,1%.

“O resultado mostra uma recomposição bastante seletiva do consumo. Itens essenciais apresentam maior resiliência, enquanto categorias mais discricionárias, especialmente ligadas a serviços, lazer e mobilidade, seguem mais sensíveis ao orçamento das famílias”, avalia Alves.

Sobre o ICVA

Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) acompanha mensalmente a evolução do Varejo brasileiro, de acordo com as vendas realizadas em 18 setores mapeados pela Cielo, desde pequenos lojistas a grandes varejistas. O peso de cada setor no resultado geral do indicador é definido pelo seu desempenho no mês.

O ICVA foi desenvolvido pela área de Business Analytics da Cielo com o objetivo de oferecer, mensalmente, uma fotografia do comércio varejista do país a partir de informações reais.

Como é calculado o ICVA

A unidade de Business Analytics da Cielo desenvolveu modelos matemáticos e estatísticos aplicados à base da companhia com o objetivo de isolar os efeitos do mercado de credenciamento — como variação de market share, substituição de cheque e dinheiro no consumo, bem como o surgimento do Pix.

Dessa forma, o indicador não reflete somente a atividade do comércio pelo movimento com cartões, mas, sim, a real dinâmica de consumo no ponto de venda.

Esse índice não é, de forma alguma, prévia de resultados da Cielo, que são impactados por uma série de outras alavancas, tanto de receitas quanto de custos e despesas.

Entenda o Índice Cielo de Varejo Ampliado

  • ICVA Nominal: indica o crescimento da receita nominal de vendas no Varejo Ampliado do período, comparado ao mesmo período do ano anterior. Reflete o que o varejista de fato observa nas suas vendas.
  • ICVA Deflacionado: ICVA Nominal descontado da inflação. Para isso, é utilizado um deflator calculado a partir do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo IBGE, ajustado ao mix e aos pesos dos setores contidos no ICVA. Reflete o crescimento real do Varejo, sem a contribuição do aumento de preços.
  • ICVA Nominal/Deflacionado com ajuste de calendário: ICVA sem os efeitos de calendário que impactam determinado mês/período, quando comparado com o mesmo mês/período do ano anterior. Reflete como está o ritmo do crescimento, permitindo observar acelerações e desacelerações do índice.
  • ICVA E-commerce: indicador do crescimento da receita nominal no canal de vendas online do Varejo, no período em comparação com o período equivalente do ano anterior.

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