ICVA: vitória do Brasil sobre o Haiti anima Varejo
O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) mostra que a vitória do Brasil sobre o Haiti por 3 a 0, no segundo jogo da Seleção na Copa do Mundo 2026, mexeu com a rotina de consumo dos brasileiros — e ajudou a transformar o pós-jogo em momento de celebração.
Segundo o ICVA, os bares registraram o maior volume de vendas às 23h no dia da partida, concentrando 11,8% das transações do dia, frente a 4,56% de vendas realizadas no mesmo horário da sexta-feira comparável de 2025.

O comportamento sugere uma diferença importante em relação à estreia da Seleção, marcada pelo empate contra o Marrocos.
Se no primeiro jogo o varejo total recuou, no confronto contra o Haiti o comércio brasileiro mostrou maior adaptação à rotina da Copa: o varejo total cresceu 1,7%, o e-commerce avançou 22,9% e as lojas físicas tiveram queda de 3%.

A força do digital foi um dos principais destaques, mostrando que o consumidor manteve o consumo, mas mudou o canal.
A leitura é que, em dia de jogo da Seleção, o brasileiro tende a antecipar compras, recorrer mais ao online e ajustar a agenda de consumo ao horário da partida.
A vitória não explica sozinha o desempenho, mas os dados indicam que o resultado positivo em campo pode ter prolongado a mobilização do torcedor, especialmente no consumo depois da partida.
Torcedores se reúnem para ver a partida em casa
No recorte específico de Bares, Discotecas & Casas Noturnas, o faturamento nominal registrou leve queda de 2,8%.
A abertura por canal mostra, novamente, o peso do digital: o e-commerce do microssetor cresceu 8,1%, enquanto as vendas físicas recuaram 3,1%.
Isso indica que os torcedores demandaram bebidas e outros produtos para consumir dentro de casa.

Apesar da retração no faturamento total, o pico às 23h mostra que os bares ganharam relevância no pós-jogo, em um movimento compatível com a celebração após a vitória da Seleção.
O levantamento compara o desempenho do varejo em 19 de junho de 2026, data de Brasil x Haiti, com a mesma sexta-feira de 2025, em 20 de junho.
A análise mostra que o jogo não apenas alterou o volume de vendas, mas reorganizou a jornada de compra ao longo do dia.
No varejo total, o maior volume de transações ocorreu às 17h, quando as vendas representaram 4,8% do total diário, acima dos 4,3% registrados no mesmo horário da sexta-feira de referência.
O desempenho dos supermercados reforça a leitura de preparação para assistir ao jogo. Nesse segmento, o maior volume de vendas ocorreu às 18h, quando as transações representaram 6,1% do total diário, acima dos 5,28% observados no mesmo horário da sexta-feira comparável de 2025.
O dado mostra que parte dos consumidores concentrou compras no fim da tarde, provavelmente para abastecer a casa antes da partida.

Entre os setores, Turismo & Transporte teve o melhor desempenho, com alta de 28% no faturamento nominal.
O avanço sugere maior movimentação ligada ao dia do jogo, seja por deslocamentos, viagens ou programação associada à Copa. Também cresceram os segmentos de Varejo Alimentício Especializado, com alta de 9,9%, e de Supermercados & Hipermercados, com avanço de 5,5%.
Na outra ponta, outros setores tiveram desempenho negativo no dia da partida. Recreação & Lazer registrou queda de 26,9%, a maior retração entre os segmentos analisados.
Já Vestuário teve volume de vendas estável ao longo do dia, sem variação relevante no perfil horário em relação à sexta-feira comparável de 2025. Os demais setores, agrupados, cresceram 2,9%.
Para a Cielo, os dados mostram que grandes eventos esportivos funcionam como um termômetro da transformação do varejo no país:
“O consumidor não deixa necessariamente de comprar em dia de jogo: ele muda o canal, o horário e a ocasião de consumo. Em partidas da Seleção, o comércio precisa estar preparado para vender antes, durante e depois do jogo — no balcão, no aplicativo, no link de pagamento e em qualquer ponto de contato com o cliente. Para o lojista, isso reforça a importância de estar preparado para atender o cliente em diferentes momentos e canais, com uma operação simples, segura e integrada”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo.
Segundo o executivo, a comparação entre os dois primeiros jogos da Seleção na Copa também mostra como o comportamento do consumidor pode variar conforme o contexto da partida.
“O empate na estreia teve um efeito diferente da vitória no segundo jogo. No confronto contra o Haiti, o varejo total cresceu, o e-commerce ganhou ainda mais força e os bares tiveram um pico relevante depois da partida. É um sinal de que o humor do torcedor, o horário do jogo e a adaptação à Copa influenciam diretamente a jornada de consumo”, completa Alves.
Sobre o ICVA
O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) acompanha mensalmente a evolução do Varejo brasileiro, de acordo com as vendas realizadas em 18 setores mapeados pela Cielo, desde pequenos lojistas a grandes varejistas. O peso de cada setor no resultado geral do indicador é definido pelo seu desempenho no mês.
O ICVA foi desenvolvido pela área de Business Analytics da Cielo com o objetivo de oferecer, mensalmente, uma fotografia do comércio varejista do país a partir de informações reais.
Como é calculado o ICVA
A unidade de Business Analytics da Cielo desenvolveu modelos matemáticos e estatísticos aplicados à base da companhia com o objetivo de isolar os efeitos do mercado de credenciamento — como variação de market share, substituição de cheque e dinheiro no consumo, bem como o surgimento do Pix.
Dessa forma, o indicador não reflete somente a atividade do comércio pelo movimento com cartões, mas, sim, a real dinâmica de consumo no ponto de venda.
Esse índice não é, de forma alguma, prévia de resultados da Cielo, que são impactados por uma série de outras alavancas, tanto de receitas quanto de custos e despesas.
Entenda o Índice Cielo de Varejo Ampliado
- ICVA Nominal: indica o crescimento da receita nominal de vendas no Varejo Ampliado do período, comparado ao mesmo período do ano anterior. Reflete o que o varejista de fato observa nas suas vendas.
- ICVA Deflacionado: ICVA Nominal descontado da inflação. Para isso, é utilizado um deflator calculado a partir do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo IBGE, ajustado ao mix e aos pesos dos setores contidos no ICVA. Reflete o crescimento real do Varejo, sem a contribuição do aumento de preços.
- ICVA Nominal/Deflacionado com ajuste de calendário: ICVA sem os efeitos de calendário que impactam determinado mês/período, quando comparado com o mesmo mês/período do ano anterior. Reflete como está o ritmo do crescimento, permitindo observar acelerações e desacelerações do índice.
- ICVA E-commerce: indicador do crescimento da receita nominal no canal de vendas online do Varejo, no período em comparação com o período equivalente do ano anterior.
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