ICVA: e-commerce cresce 15,5% e lojas físicas recuam na estreia do Brasil na Copa
O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) aponta que a estreia do Brasil na Copa do Mundo contra o Marrocos alterou a dinâmica de consumo no varejo brasileiro. Os dados mostram que o varejo total registrou queda de 1,3% no dia da partida, em comparação com o mesmo sábado do ano anterior.
Mais do que uma desaceleração pontual, os números indicam uma reorganização da jornada de compra, com antecipação de consumo em alguns setores, migração para o digital e concentração de gastos em categorias diretamente associadas ao jogo.

O movimento mais evidente ocorreu na comparação entre canais. Enquanto o varejo físico recuou 3,7%, o e-commerce avançou 1 5,5%, indicando que o consumidor reduziu a circulação pelas lojas, mas manteve parte das compras por meios digitais.
O dado reforça a importância da presença multicanal para o varejo, especialmente em datas e eventos que alteram a mobilidade e a rotina dos consumidores.
“O jogo do Brasil mostra como grandes eventos nacionais têm capacidade de reorganizar o consumo ao longo do dia. O consumidor não deixa necessariamente de comprar: ele muda o horário, o canal e a ocasião de consumo. Para o varejo, entender esse comportamento é essencial para se preparar melhor, ajustar operação, estoque, atendimento e canais digitais”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo.
Assistir jogo em casa x assistir jogo em bares e restaurantes
Na análise por setores, o maior crescimento foi registrado em Turismo & Transporte, com alta de 16,6%. O resultado sugere maior movimentação relacionada ao evento, seja por deslocamentos, viagens ou consumo associado à experiência da Copa.
Também tiveram desempenho positivo Supermercados e Hipermercados, com avanço de 11,3%, e o Varejo Alimentício Especializado, com crescimento de 10,7%, refletindo a preparação dos consumidores antes da partida, especialmente para reuniões em casa, encontros familiares e consumo durante o jogo.
Por outro lado, setores mais dependentes de fluxo contínuo ao longo do dia foram impactados negativamente.
O segmento de Recreação & Lazer registrou queda de 28,9%, enquanto o setor de Bares & Restaurantes recuou 14,6%.
Apesar disso, dentro desse último grupo, o microssetor de Bares, Discotecas & Casas Noturnas apresentou crescimento de 6,4%.

“Os dados mostram que a Copa cria uma espécie de nova agenda para o varejo. Supermercados e lojas de alimentação capturam a preparação pré-jogo; bares ganham relevância como ponto de encontro; e o digital se fortalece como alternativa para quem quer resolver compras sem sair de casa. É um comportamento muito brasileiro: muda o jogo, muda o caixa”, complementa Alves.
O perfil de vendas por horário também aponta uma redistribuição do consumo ao longo do dia.
Durante o período da partida, houve redução no volume de transações, seguida por recuperação posterior em determinados segmentos.
Esse comportamento reforça o impacto direto de grandes eventos esportivos na jornada de compra, especialmente em dias de jogos da Seleção Brasileira.
Os dados evidenciam a relevância da inteligência transacional para compreender mudanças rápidas no comportamento do consumidor.
O ICVA, calculado a partir de transações reais capturadas pela companhia, permite acompanhar tendências do varejo em diferentes setores, regiões e períodos, oferecendo uma visão concreta sobre o desempenho do comércio brasileiro:
“O varejo precisa olhar para grandes eventos como oportunidades de planejamento. Quem entende quando o consumidor compra, por qual canal e com qual finalidade consegue se preparar melhor para capturar demanda. Em dias como esse, dados ajudam o empreendedor a sair do improviso e entrar em campo com estratégia”, afirma Alves.
Pré-copa impulsiona e-commerce de lojas de departamento
A preparação dos brasileiros para acompanhar a Copa do Mundo se reflete no comportamento do varejo antes mesmo do início do evento.
Dados do ICVA mostram que, na semana anterior ao campeonato, o e-commerce de lojas de Móveis, Eletro & Departamento registrou alta de 13,1 % no faturamento nominal em relação ao mesmo período do ano anterior.
O movimento indica que a busca por itens ligados à casa, eletrônicos e produtos associados à experiência de assistir aos jogos ganhou força, sobretudo, no ambiente digital.

O levantamento considera o período de 1º a 7 de junho de 2026, comparado com 2 a 8 de junho de 2025.
No geral, o setor cresceu apenas 2,5% porque o comércio físico registrou queda de 2% do faturamento nesses dias.
Desempenho do comércio de rua e shoppings
No entanto, apesar da queda no varejo físico, o ICVA também identificou uma diferença relevante entre o desempenho de lojas de shopping e lojas de rua.
No setor agregado de Móveis, Eletro & Departamento, as vendas em shopping cresceram 8,4%, enquanto as lojas de rua registraram queda de 4,5%.

“O comportamento do varejo na semana pré-Copa mostra que o consumidor está cada vez mais digital, especialmente em categorias nas quais comparação de preço, conveniência e variedade pesam muito na decisão. O dado não aponta apenas uma alta de vendas online; ele mostra como grandes eventos ajudam a revelar mudanças estruturais no jeito de consumir”, afirma Alves.
O resultado pode indicar que os shoppings concentraram parte do fluxo de consumidores em busca de itens de maior valor agregado ou de compras associadas à experiência de lazer e preparação para os jogos.
Já o avanço do e-commerce reforça a importância da jornada omnicanal, na qual o consumidor transita entre pesquisa online, visita à loja física e conclusão da compra no canal mais conveniente.
“A questão de segurança pode ter influenciado a jornada do consumidor: que preferiu receber o produto em casa ou usar a segurança dos shopping centers para levar seus produtos com maior segurança”, acrescenta Alves.
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