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Índice ICVA

ICVA: em maio de 2026, Varejo tem a maior retração desde a pandemia

Consumidor mais cauteloso derruba varejo em 3,6% em maio: pior resultado para meses de maio desde 2021. Sudeste tem maior recuo para qualquer mês. Inflação, juros elevados e renda comprometida levaram brasileiros a priorizar despesas essenciais e adiar compras maiores; serviços registraram a maior queda do mês.
Publicado por Comunicação Cielo

 Profissional de varejo utilizando tablet em balcão comercial, com elementos gráficos de análise e texto “Cielo ICVA Maio 2026”, representando o desempenho do varejo no Brasil.O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) mostrou que o varejo brasileiro recuou 3,6% em termos reais em maio de 2026.

A variação, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, já desconta a inflação dos preços no período.

O resultado reflete um ambiente de maior cautela por parte das famílias, pressionadas por juros elevados, renda comprometida e inflação ainda concentrada em itens essenciais. Trata-se da maior retração para um mês de maio desde o choque provocado pela pandemia.

O resultado do mês passado aprofunda a sequência de perdas observada desde o início do ano e representa a maior retração mensal desde março de 2025, quando o índice havia caído 3,8%.

Depois de dois meses positivos em abril e maio do ano passado, o desempenho voltou ao campo negativo e permaneceu pressionado ao longo de 2026, reforçando um cenário de consumo mais cauteloso, com as famílias priorizando gastos essenciais e adiando compras diante do orçamento mais comprometido.

Infográfico do Índice Cielo de Varejo Ampliado (ICVA) de maio de 2026 mostra crescimento nominal de 1,8% nas vendas, queda real de 3,6%, alta de 7,3% no e-commerce e estabilidade de 0,0% no comércio físico no Brasil.

Desempenho regional reflete retração em todo o país

A desaceleração foi disseminada pelo país e atingiu todas as regiões brasileiras.

Em maio, o Centro-Oeste apresentou a maior queda: 4,9%. Foi a pior variação mensal desde setembro de 2024.

No Nordeste, a retração foi de 3,1%, o resultado mais fraco desde abril de 2026.

O Norte caiu 2,4%, mas também não conseguiu superar o desempenho do mês anterior.

Já o Sul teve queda de 1,9%, igualmente a pior variação mensal desde abril de 2026.

Além de registrar a segunda maior queda do país, o Sudeste apresentou o pior desempenho para qualquer mês desde março de 2021, período ainda marcado pelos efeitos da Covid-19.

O resultado dessa região é especialmente relevante por concentrar a maior parte da atividade econômica e do consumo nacional.

“O enfraquecimento do consumo foi disseminado pelo país. Nenhuma região apresentou crescimento real, mostrando que o ambiente econômico continua exigindo mais cautela das famílias”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo.

“Maio confirmou um consumidor mais racional e seletivo. Com o orçamento mais pressionado, as famílias estão priorizando despesas essenciais e buscando mais preço e promoção antes de decidir a compra”, completa o executivo.

Desempenho estadual

Entre os estados, o Amapá liderou o desempenho nacional, com crescimento de 3,1%, seguido por Sergipe (+0,9%).

Acre (-0,3%), Rondônia (-0,5%) e Santa Catarina (-1,1%) completam a lista das cinco unidades da Federação com melhor desempenho em maio.

Na outra ponta, Goiás registrou a maior retração do país, com queda de 6,7%, seguido por São Paulo (-5,4%), Pernambuco (-5,2%), Rio de Janeiro (-4,7%) e Roraima (-4,5%).

Consumidor mais defensivo

O calendário de maio também foi menos favorável ao consumo do que em 2025. No ano passado, uma quinta-feira adicional coincidiu com o feriado do Dia do Trabalhador e favoreceu emendas e gastos ligados ao lazer. Em 2026, com o feriado em uma sexta-feira, esse impulso foi menor.

Além disso, o Dia das Mães criou uma base de comparação mais exigente. Em 2025, a data havia impulsionado crescimento de 6,3%, acima do avanço de 3,6% registrado neste ano.

A combinação de inflação ainda acima do centro da meta, juros em patamar elevado e maior comprometimento da renda das famílias contribui para um comportamento mais defensivo do consumidor, que passou a priorizar gastos essenciais e a buscar mais promoções e comparação de preços.

O Banco Central voltou a sinalizar preocupação com o endividamento das famílias, destacando patamar historicamente elevado e avanço da participação de modalidades mais onerosas na composição da dívida.

Em março, o endividamento das famílias no sistema financeiro ficou em 49,8% (49,9% em fevereiro), e o comprometimento de renda alcançou 29,3%, o que ajuda a contextualizar um consumo mais defensivo.

Pelo lado das empresas, a inadimplência segue em patamar recorde, com quase 9 milhões de CNPJs em atraso no fim do primeiro trimestre e 9 milhões em abril, segundo dados reportados com base na Serasa Experian.

Além do estoque elevado de dívidas, o custo do crédito permanece pressionado: a taxa básica de juros ainda está em nível elevado (14,5% ao ano), e a leitura de mercado é de manutenção em patamar restritivo por mais tempo.

Esse ambiente de juros altos pode dificultar a rolagem de passivos, comprimir caixa e reduzir a disposição para investimento e consumo intermediário, ajudando a explicar a maior sensibilidade de Serviços no ICVA de maio.

Desempenho dos macrossetores

Serviços foi o macrossetor mais afetado em maio, com retração de 8,9%. Turismo & Transporte foi o principal segmento responsável pelo desempenho, em um ambiente marcado pela forte alta acumulada das passagens aéreas e maior seletividade dos consumidores.

Em 2025, abril e maio concentraram quedas expressivas nesse item, favorecendo o consumo do setor. Já em 2026, com os preços de querosene pressionados pelos conflitos no Oriente Médio, o IPCA-15 acumulou alta de 43,8% em 12 meses no preço de passagens aéreas, criando um ambiente menos favorável para o segmento.

Alimentação – Bares & Restaurantes também contribuiu negativamente para o resultado do macrossetor.

Em Bens Duráveis e Semiduráveis, o segmento com maior contribuição negativa dentro do grupo foi Materiais para Construção, seguido por Vestuário & Artigos Esportivos.

O comportamento sugere postergação de gastos de maior tíquete em um contexto de crédito mais restritivo e comprometimento de renda elevado.

Em Bens Não Duráveis, o setor de Drogarias & Farmácias foi o maior detrator do macrossetor em termos de contribuição, com retração real no período.

Supermercados & Hipermercados apresentaram o segundo maior impacto negativo, também em terreno real de recuo.

Esse resultado é coerente com a pressão de preços observada na prévia da inflação, com Alimentação & Bebidas em alta de 1,38% em maio e Alimentos no Domicílio avançando 1,73%, o que tende a comprimir o volume consumido mesmo em categorias essenciais.

“Setores ligados a serviços e compras de maior valor foram os mais afetados, refletindo um cenário em que juros altos e renda comprometida ainda limitam a disposição para consumir”, diz Carlos Alves.

Infográfico do ICVA de maio de 2026 destaca queda anual nos macrossetores do varejo no Brasil, com serviços -8,9%, bens duráveis -4,1% e não duráveis -1,3%, além de retração regional com Centro-Oeste -4,9%, Sudeste -4,7% e Sul -1,9%.

Inflação

No ambiente macro, o IPCA-15 subiu 0,6% em maio e acumulou alta de 4,6% em 12 meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre os grupos, Alimentação e Bebidas avançou 1,4%, Habitação 1% e Saúde e Cuidados Pessoais 1,1%, reforçando a pressão sobre gastos essenciais.

Dentro do IPCA-15, as passagens aéreas voltaram a subir em maio, com alta de 3,3% após queda de 14,3% no mês anterior.

Esse movimento de preços pode ter influenciado a dinâmica de consumo em segmentos ligados a serviços e mobilidade, especialmente em um contexto de maior seletividade de gastos.

Sobre o ICVA

O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) acompanha mensalmente a evolução do Varejo brasileiro, de acordo com as vendas realizadas em 18 setores mapeados pela Cielo, desde pequenos lojistas a grandes varejistas. O peso de cada setor no resultado geral do indicador é definido pelo seu desempenho no mês.

O ICVA foi desenvolvido pela área de Business Analytics da Cielo com o objetivo de oferecer, mensalmente, uma fotografia do comércio varejista do país a partir de informações reais.

Como é calculado o ICVA

A unidade de Business Analytics da Cielo desenvolveu modelos matemáticos e estatísticos aplicados à base da companhia com o objetivo de isolar os efeitos do mercado de credenciamento — como variação de market share, substituição de cheque e dinheiro no consumo, bem como o surgimento do Pix.

Dessa forma, o indicador não reflete somente a atividade do comércio pelo movimento com cartões, mas, sim, a real dinâmica de consumo no ponto de venda.

Esse índice não é, de forma alguma, prévia de resultados da Cielo, que são impactados por uma série de outras alavancas, tanto de receitas quanto de custos e despesas.

Entenda o Índice Cielo de Varejo Ampliado

  • ICVA Nominal: indica o crescimento da receita nominal de vendas no Varejo Ampliado do período, comparado ao mesmo período do ano anterior. Reflete o que o varejista de fato observa nas suas vendas.
  • ICVA Deflacionado: ICVA Nominal descontado da inflação. Para isso, é utilizado um deflator calculado a partir do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo IBGE, ajustado ao mix e aos pesos dos setores contidos no ICVA. Reflete o crescimento real do Varejo, sem a contribuição do aumento de preços.
  • ICVA Nominal/Deflacionado com ajuste de calendário: ICVA sem os efeitos de calendário que impactam determinado mês/período, quando comparado com o mesmo mês/período do ano anterior. Reflete como está o ritmo do crescimento, permitindo observar acelerações e desacelerações do índice.
  • ICVA E-commerce: indicador do crescimento da receita nominal no canal de vendas online do Varejo, no período em comparação com o período equivalente do ano anterior.

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