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Consumismo no Brasil em 2019 | Blog Cielo

Estudo do BCG mostra que o consumidor brasileiro pretender voltar a gastar mais neste ano
Publicado por Equipe Cielo

Após 8 anos, o percentual de pessoas que planejam aumentar ou manter os gastos voltou a crescer, segundo o estudo Sentimento do Consumidor, realizado pela consultoria BCG (Boston Consulting Group) e divulgado nesta terça (12). De acordo com a análise, 28% da população afirmou que pretende desembolsar mais ou continuar com o mesmo ritmo de despesas em 2019 – em 2010, a marca era de 58%.

“Nos últimos anos, só vimos os indicadores mostrarem que as pessoas, por causa da crise, só pensavam em diminuir os custos. Agora, mesmo com uma melhora discreta, podemos perceber uma mudança de comportamento do consumidor”, diz Flavia Gemignani, líder do Centro de Insights para o Consumidor do BCG. O estudo do BCG foi apresentado em conjunto com o head de Inteligência da Cielo, Gabriel Mariotto, durante o CMO Talks, na sede da consultoria, em São Paulo.

A alta está ligada ao otimismo do brasileiro em relação ao ambiente econômico. Ainda conforme a pesquisa, 71% dos brasileiros acreditam que a economia vai melhorar nos próximos 6 meses. Para efeito de comparação, apenas 46% faziam a mesma afirmação em 2017.

Na entrevista abaixo, Flavia conta um pouco mais sobre os principais pontos analisados na pesquisa:

PERGUNTA: Como os anos de crise mudaram o comportamento de consumo do brasileiro?

FLAVIA GEMIGNANI: A crise econômica que vivemos nos últimos anos fez o consumidor virar uma chave e algumas coisas vieram para ficar. Hoje, eles buscam cada vez mais oportunidades e promoções. Estão atentos ao custo-benefício dos produtos, priorizando qualidade, mas também propensos a fazer trocas por produtos mais acessíveis quando necessário. 

PERGUNTA: Essa “cultura” das promoções também veio para ficar do lado dos varejistas?

FLAVIA GEMIGNANI: Essa cultura das promoções, de atrair os clientes o ano todo, tem ficado cada vez mais forte. Isso é difícil de recuar. Ainda estamos longe do que acontece nos Estados Unidos, por exemplo, onde há um forte apelo para ofertas e cupons. Mas as empresas podem começar a trabalhar melhor com isso. Fazer experimentações nas promoções. Criar ações para buscar o mercado da concorrência ou oferecer produtos mais personalizados.

PERGUNTA: O estudo do BCG mostra o consumidor mais animado com as perspectivas econômicas, a despeito de alguns indicadores, como o desemprego, ainda não terem apresentado melhora. O que leva a esse estado de ânimo?

FLAVIA GEMIGNANI: A pesquisa observa, realmente, o comportamento do consumidor. Um sinal, seja positivo, seja negativo, impacta esse comportamento. Apesar de alguns dados ainda não serem positivos, como o desemprego, vimos nos últimos meses a estabilização da inflação. E inflação é uma palavra que assusta. Quando isso é controlado, há uma mellhora no otimismo da população.

PERGUNTA: Essa expectativa por uma economia mais forte também altera a intenção de consumir mais produtos “premiums”?  É o momento de o varejista apostar neste tipo de item?

FLAVIA GEMIGNANI: Em algumas categorias isso é possível, mas não em todas. O primeiro impulso do consumidor, quando aposta na melhor da economia, é consumir em maior volume. Mas em algumas categorias, realmente, os consumidores vão procurar produtos premiums. Podemos observar essa tendência em itens como smartphones, eletrônicos e bens duráveis de modo geral. São produtos com maior tempo de vida e o consumidor pode priorizar o investimento nesses casos.

PERGUNTA: O estudo também captou muito bem o avanço dos atacarejos e dos minimercados. Eles vão continuar ganhando território?

FLAVIA GEMIGNANI: O crescimento dos atacarejos está muito ligado ao preço e foi possível, inclusive, ver parte do público A e B fazendo compras nesses pontos. Mas esse segmento tende a desaquecer um pouco. Por outro lado, os minimercados devem continuar avançando. Eles têm um forte apelo para a comodidade, porém, começam a entrar na disputa por preços.
 

PERGUNTA: Outra importante mudança no comportamento do consumidor nos últimos anos foi o aumento das compras on-line. Como avalia o impacto da digitalização nas compras?

FLAVIA GEMIGNANI: A gente vê uma forte influência dos canais digitais na jornada do consumidor como um todo. Mas o e-commerce ainda não é tão representativo no Brasil, embora esteja crescendo. Um ponto curioso é que o país ainda tem uma grande diferença entre intenção de fazer compras on-line e as compra efetivamente feitas. Isso acontece por vários fatores. O principal deles é que muita gente se incomoda com o fato de não poder provar ou interagir com o item desejado. O frete também é algo que espanta. Tanto pelo alto custo da entrega quando pelo tempo de entrega, que, muitas vezes, é dilatado.

PERGUNTA: Essa digitalização também vem provocando mudanças nas marcas, que tem aumentado o investimento em publicidade digital. Como avalia esse direcionamento?

FLAVIA GEMIGNANI: Em termos de estratégia de marketing digital, ainda temos bastante a evoluir. É claro que há muitos players fazendo isso muito bem. Mas há muitos executivos de marketing com uma visão mais tradicionalista, uma falta de crença na publicidade digital. Por outro lado, algumas empresas estão trabalhando muito mais com o digital, usando o Big Data Analytics para entender melhor o consumidor, fazer ofertas segmentadas. Outro grande atrativo é uma publicidade mais barata, mas na qual você tem uma gestão mais rápida para fazer testes. Isso torna a publicidade mais focada e efetiva.

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